Fratura de Clavícula

  • 24 de junho de 2025

A clavícula é um osso em forma de “S” que liga o tronco ao ombro. Ela funciona como uma ponte entre o esterno (osso do peito) e o acrômio (osso da escápula), e é fundamental para manter o alinhamento e a movimentação do ombro.

Por ser uma estrutura exposta e pouco protegida por músculos, a clavícula é um dos ossos que mais fratura no corpo humano, especialmente em quedas ou traumas diretos no ombro.

Como a fratura acontece?

As causas mais comuns de fratura da clavícula incluem:

Quedas diretas sobre o ombro (muito comum em ciclistas, motociclistas e esportistas)
Acidentes de trânsito
Quedas com o braço estendido
Traumas durante esportes de contato (futebol, rugby, judô)
Em bebês, pode ocorrer durante o parto

Tipos de fratura

A clavícula pode se quebrar em diferentes regiões:

Terço médio (mais comum – 80%)
Ocorre na parte central do osso, que é mais frágil
Terço lateral (mais próximo do ombro)
Pode estar associada à instabilidade da articulação acromioclavicular
Terço medial (mais próximo do esterno)
Raras e geralmente tratadas conservadoramente
As fraturas podem ser:

Sem desvio: os fragmentos permanecem alinhados
Com desvio: os fragmentos se afastam, sobrepõem ou formam ângulos
Cominutivas: o osso se quebra em vários fragmentos

Sintomas mais comuns

Dor intensa e imediata após o trauma
Deformidade visível sobre a clavícula ("galo" ou elevação óssea)
Inchaço e hematoma local
Dificuldade ou limitação para levantar o braço
Estalos ao tentar mexer o ombro
Em casos mais graves, pode haver dormência ou formigamento se houver lesão de nervos

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente é clínico, baseado na história do trauma e exame físico
Radiografias simples do ombro/clavícula são suficientes na maioria dos casos
Em fraturas complexas ou com suspeita de comprometimento articular, pode ser necessária tomografia computadorizada

Tratamento

Tratamento conservador (sem cirurgia)

Indicado para a maioria das fraturas, especialmente:

Fraturas sem desvio ou com pouco desvio
Fraturas em crianças e adolescentes (alta capacidade de consolidação)
Fraturas do terço medial
Inclui:

Uso de tipoia por 2 a 4 semanas para imobilização e alívio da dor
Analgésicos e anti-inflamatórios
Fisioterapia gradual após controle da dor, com foco em mobilidade e fortalecimento
A consolidação geralmente ocorre em 6 a 8 semanas
Mesmo com desvio, muitas fraturas consolidam bem e sem prejuízo funcional.

Tratamento cirúrgico

Indicado quando:

Fratura com grande desvio entre os fragmentos
Fraturas cominutivas (em vários pedaços)
Falha no tratamento conservador (pseudartrose ou consolidação com má posição)
Fraturas expostas ou com risco para estruturas próximas (vasos ou nervos)
Pacientes atletas ou que necessitam recuperação mais rápida
A cirurgia consiste na fixação com placa e parafusos, para alinhar e estabilizar o osso.

Recuperação

Tipoia usada por 1 a 2 semanas (menos tempo que no tratamento conservador)
Início precoce da fisioterapia com foco em ganho de mobilidade
Retorno a atividades leves em 4 a 6 semanas
Retorno ao esporte completo em 2 a 3 meses (casos cirúrgicos geralmente mais rápidos)

Prognóstico

A maioria das fraturas de clavícula tem excelente evolução, com retorno completo das funções do ombro. A escolha entre tratamento conservador ou cirúrgico depende do tipo da fratura, da idade do paciente, do grau de desvio e do nível de atividade desejado.

Mesmo em casos operados, é comum a presença de um pequeno "caroço" ou calo ósseo visível sob a pele — o que não interfere na função.

Quando procurar ajuda?

Se você sofreu uma queda ou trauma e sente:

Dor forte no ombro
Dificuldade para levantar o braço
Deformidade visível na região da clavícula