A artrose acromioclavicular (ou artrose AC) é uma das causas mais comuns de dor localizada na parte superior do ombro. Ela ocorre na pequena articulação entre a clavícula e o acrômio, um osso que faz parte da escápula.
Essa articulação é pequena, mas fundamental para os movimentos do braço acima da cabeça e para a estabilidade do ombro — por isso, quando está desgastada, pode gerar bastante desconforto.
A articulação acromioclavicular (AC) conecta o final da clavícula ao acrômio, que forma o “teto” da articulação do ombro. Ela permite pequenos movimentos que ajudam na mobilidade do ombro como um todo.
Com o tempo — ou por sobrecarga — essa articulação pode sofrer desgaste da cartilagem, o que leva à artrose.
As causas mais comuns são:
Envelhecimento natural (mais comum após os 40-50 anos)
Movimentos repetitivos com o braço elevado (ex: esportes como natação, musculação, crossfit)
Traumas prévios como quedas ou luxações da clavícula
Uso excessivo da articulação, como em profissões manuais (pintores, eletricistas)
É uma artrose pequena, mas que pode doer bastante — principalmente em atletas ou pessoas que treinam com carga.
Dor bem localizada no topo do ombro, na junção da clavícula com o acrômio
Dor ao levantar o braço acima da cabeça ou ao deitar de lado
Desconforto ao cruzar o braço na frente do peito (ex: abraçar ou vestir blusa)
Sensação de “pontada” ou dor fina e profunda
Em alguns casos, inchaço local ou presença de um “carocinho ósseo” (osteófitos)
Um teste simples feito pelo médico é o “crossover test”, onde o paciente cruza o braço em direção ao ombro oposto e sente dor bem localizada na articulação AC.
O diagnóstico é feito com base na localização da dor, exame físico e exames de imagem:
Raio-X do ombro: mostra o estreitamento da articulação AC e esporões ósseos
Ressonância magnética: avalia o grau de artrose e verifica se há outras lesões no ombro (como tendinopatias)
Infiltração diagnóstica: uma pequena dose de anestésico é injetada na articulação; se a dor aliviar temporariamente, confirma-se a artrose AC como fonte da dor
Na maioria dos casos, o tratamento clínico resolve o problema:
Fisioterapia com foco em mobilidade e fortalecimento
Medicamentos anti-inflamatórios ou analgésicos
Modificações nos treinos ou no trabalho (evitar exercícios que comprimem a articulação, como supino reto)
Infiltrações locais com corticoide ou ácido hialurônico
A maioria dos pacientes melhora com essas medidas, sem necessidade de cirurgia.
Indicada em casos com dor persistente apesar do tratamento conservador. O procedimento mais comum é a:
Ressecção da extremidade da clavícula (cirurgia de Mumford)
– Consiste em remover poucos milímetros da clavícula para evitar o contato ósseo direto.
– É feita por artroscopia, com pequenas incisões e recuperação mais rápida.
Após a cirurgia:
O paciente usa tipoia por poucos dias
A fisioterapia é iniciada precocemente
O retorno às atividades ocorre em poucas semanas
Com acompanhamento adequado, é totalmente possível manter uma vida ativa com essa condição. A chave é ajustar os estímulos, tratar a inflamação e fortalecer a musculatura do ombro.
Se você sente dor na parte superior do ombro, principalmente ao fazer força com o braço elevado, procure avaliação. Pode ser artrose acromioclavicular — e o tratamento é mais simples do que parece!