O bíceps braquial é aquele músculo famoso pela flexão do braço, mas o que muita gente não sabe é que ele tem duas "cabeças" de origem — e uma delas, chamada de cabeça longa, se insere dentro da articulação do ombro.
Lesões no bíceps proximal são uma causa comum de dor no ombro, especialmente em pessoas acima dos 40 anos, praticantes de esportes ou que fazem força com os braços com frequência.
O bíceps é dividido em duas partes:
Cabeça curta: se insere fora da articulação, na coracóide.
Cabeça longa: passa por dentro do ombro, atravessa o sulco bicipital do úmero e se insere no lábrum glenoidal, uma estrutura que estabiliza a articulação.
É a cabeça longa do bíceps que costuma causar problemas.
Tendinite bicipital
Inflamação do tendão da cabeça longa do bíceps, geralmente por sobrecarga ou movimentos repetitivos.
Instabilidade ou subluxação do bíceps
O tendão escapa de sua posição normal no sulco bicipital, muitas vezes associado a lesões do subescapular.
Ruptura parcial ou total
O tendão pode sofrer rupturas, mais comuns em pacientes acima dos 50 anos ou após traumas.
Lesões do labrum (SLAP lesion)
Quando o tendão do bíceps traciona o lábrum, pode ocorrer uma lesão na cartilagem de sustentação da glenoide. Mais comum em atletas de arremesso e Crossfit.
Dor na parte anterior do ombro, que piora com esforço ou elevação do braço
Dor ao pegar peso ou carregar objetos
Sensação de estalo ou clique no ombro
Em casos de ruptura: dor súbita seguida de melhora parcial e alteração estética ("sinal do Popeye", com o músculo encolhido para baixo do braço)
Em lesões SLAP: dor profunda, sensação de instabilidade e perda de rendimento esportivo
Avaliação clínica com testes específicos: Yergason, Speed, O'Brien
Ultrassonografia: pode visualizar inflamação ou ruptura
Ressonância magnética: mostra com mais precisão o estado do tendão, além de identificar lesões associadas (como SLAP ou lesões do manguito)
Indicado para tendinites e pequenas rupturas em pacientes com baixa demanda física
Inclui:
Fisioterapia específica para fortalecimento e reequilíbrio muscular
Anti-inflamatórios e analgésicos
Infiltração com corticoide em alguns casos
Na maioria dos casos de tendinite, o tratamento conservador é suficiente.
Indicado quando:
Há falha no tratamento conservador após 3-6 meses
Ruptura completa com alteração estética ou perda de força
Lesão SLAP sintomática em pacientes ativos
Instabilidade do tendão
Técnicas cirúrgicas:
Tenotomia: o tendão é solto da sua origem. Simples, com boa recuperação. Pode gerar leve alteração estética.
Tenodese do bíceps: o tendão é fixado em outro ponto do úmero, preservando a estética e força. Indicada para pacientes ativos ou preocupados com a deformidade.
Reparo de lesão SLAP: quando necessário, o labrum é reinserido com âncoras. Indicada em atletas jovens.
Tipoia por 2 a 3 semanas
Fisioterapia com liberação progressiva dos movimentos
Fortalecimento após o primeiro mês
Retorno ao esporte ou academia entre 3 a 4 meses
Lesões do bíceps proximal são comuns, especialmente em quem usa muito os braços ou já tem desgaste no ombro. O diagnóstico precoce e o tratamento certo fazem toda a diferença.
Se você sente dor na frente do ombro, principalmente ao levantar peso, procure avaliação. Pode ser o tendão do bíceps — e ele também precisa de cuidados!