A ruptura do bíceps distal é uma lesão menos comum que as do ombro, mas que pode causar dor súbita, fraqueza e deformidade no braço.
Ela acontece quando o tendão que liga o músculo bíceps à parte de baixo do braço, próximo ao cotovelo, se rompe parcial ou totalmente.
Essa lesão costuma ocorrer durante atividades de esforço intenso e exige atenção médica — especialmente se houver perda de força para carregar peso ou girar o antebraço.
O músculo bíceps braquial tem duas origens (cabeça longa e curta, na região do ombro) e uma única inserção: o tendão distal, que se prende ao osso do antebraço chamado rádio, próximo ao cotovelo.
Esse tendão é fundamental para dois movimentos:
Flexão do cotovelo (dobrar o braço)
Supinação do antebraço (girar a palma da mão para cima)
Quando ele se rompe, esses movimentos ficam enfraquecidos e dolorosos.
A ruptura geralmente ocorre em situações de força súbita e excessiva, como:
Levantar peso exagerado na academia (ex: rosca direta)
Tentar segurar uma carga que escapa (ex: puxão inesperado)
Traumas diretos ou quedas com o braço em flexão
Esforços bruscos com o cotovelo dobrado
Fatores que aumentam o risco:
Homens entre 40 e 60 anos
Tabagismo (diminui a vascularização do tendão)
Uso de anabolizantes
Doenças degenerativas do tendão
Dor súbita e intensa na frente do cotovelo
Sensação de estalo ou "rasgo" no momento da lesão
Inchaço e hematoma rápido na região do antebraço
Perda de força para girar a palma da mão para cima (abrir tampa de garrafa, por exemplo)
Alteração estética do músculo: o bíceps pode ficar encurtado ou com um “caroço” mais alto no braço (sinal do “retração”)
Dificuldade para carregar objetos pesados
Em rupturas parciais, os sintomas podem ser mais discretos, com dor localizada e perda leve de força.
O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico (testes como o hook test, que avalia a presença do tendão distal).
Exames complementares ajudam a confirmar:
Ultrassonografia: útil para identificar rupturas completas
Ressonância magnética: mostra o grau da lesão e se há retração do tendão
Pode ser considerado em:
Pacientes com baixa demanda física
Rupturas parciais
Pessoas idosas ou com contraindicações cirúrgicas
Inclui:
Analgésicos e anti-inflamatórios
Fisioterapia para adaptação funcional e fortalecimento de outros músculos
Modificação de atividades
Porém, o tratamento conservador costuma deixar perda permanente de força, especialmente na supinação.
É o mais indicado para pacientes ativos, que usam o braço para atividades físicas, trabalho ou esporte.
A cirurgia consiste em reativar o tendão do bíceps ao osso do rádio, com uso de âncoras, botões ou parafusos especiais.
Realizada geralmente por incisão única na frente do antebraço (ou duas pequenas incisões)
Deve ser feita nas primeiras 2 a 3 semanas após a lesão para melhores resultados (evita retração do tendão)
Uso de tipoia por 1 a 2 semanas
Fisioterapia iniciada precocemente com alongamentos suaves
Fortalecimento gradual após 6 semanas
Retorno a atividades intensas entre 3 e 4 meses
A maioria dos pacientes recupera muito bem com cirurgia, voltando à força e à função normal.
A ruptura do bíceps distal é uma lesão que exige atenção. Quando tratada corretamente, especialmente com cirurgia precoce, o paciente tende a recuperar a função completa do braço.
Se você sentiu um estalo súbito no cotovelo ao levantar peso e percebeu dor e fraqueza para girar o antebraço, procure um especialista. Diagnóstico precoce faz toda a diferença.