Síndrome do Impacto do Ombro

  • 24 de junho de 2025

A síndrome do impacto do ombro é uma das causas mais comuns de dor nos ombros. Ela acontece quando os tendões do manguito rotador e outras estruturas do ombro ficam comprimidos ao passar por um espaço estreito abaixo de um osso chamado acrômio.

Esse atrito constante leva à inflamação, dor e, se não tratada, pode evoluir para lesões mais graves, como rupturas do manguito rotador.

Entendendo a anatomia

O ombro é formado por três ossos: a escápula, a clavícula e o úmero. Acima da cabeça do úmero existe o acrômio, que forma um “teto” sobre os tendões do manguito rotador e a bursa subacromial (uma espécie de “almofada”).

Na síndrome do impacto, esse espaço entre o úmero e o acrômio diminui, e os tendões passam a sofrer atrito, principalmente ao levantar o braço.

Por que isso acontece?

A síndrome do impacto pode ter causas anatômicas, funcionais ou degenerativas:

Formato do acrômio: algumas pessoas têm um acrômio com forma mais curva ou em gancho (tipo II ou III), que reduz o espaço e favorece o impacto.
Desalinhamento muscular: desequilíbrios musculares do ombro e da escápula.
Tendinopatia ou espessamento dos tendões.
Bursite subacromial: inflamação da bursa que aumenta o atrito.
Postura inadequada: ombros caídos ou cabeça projetada para frente.
Uso repetitivo do braço acima da cabeça: como em esportes de arremesso, natação ou musculação.

Sintomas comuns

Dor na parte lateral ou anterior do ombro
Piora da dor ao levantar o braço ou pegar algo no alto
Dor noturna, principalmente ao deitar sobre o ombro afetado
Dificuldade para vestir blusas, prender o cinto ou alcançar as costas
Sensação de “peso” ou perda de força
Estalos ou sensação de “raspando” ao movimentar o ombro
No início, a dor é leve e aparece após o esforço. Com o tempo, pode se tornar constante e limitante.

Como é feito o diagnóstico?

Avaliação clínica: o médico realiza testes específicos como o de Neer, Hawkins-Kennedy e Jobe, que reproduzem os sintomas de impacto.
Ultrassonografia: pode mostrar bursite e espessamento dos tendões.
Ressonância magnética: avalia o espaço subacromial e verifica se há tendinopatia, rupturas ou alterações no acrômio.
Raio-X: ajuda a identificar esporões ósseos ou formato do acrômio.

Tratamento

Conservador (sem cirurgia)

A maioria dos pacientes melhora com tratamento clínico adequado:

Fisioterapia personalizada: com foco em reequilibrar a musculatura, fortalecer o manguito rotador e melhorar a posição da escápula.
Correção postural com orientação e exercícios específicos.
Medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos.
Infiltrações com corticoide ou ácido hialurônico em casos mais intensos.
Modificação de atividades físicas ou gestos esportivos.
O tratamento conservador é eficaz em mais de 80% dos casos.

Quando a cirurgia é indicada?

Falha do tratamento conservador após 4 a 6 meses
Presença de esporões ósseos que comprimem os tendões
Casos com lesão do manguito rotador associada
Pacientes jovens e ativos com dor limitante
A cirurgia mais comum é a descompressão subacromial, feita por artroscopia. Nela, o médico remove a parte do acrômio que pressiona os tendões e trata a bursa inflamada, criando mais espaço para os movimentos.

Se houver lesões no manguito, elas são reparadas no mesmo procedimento.

E a recuperação?

Tipoia por poucos dias
Fisioterapia precoce, focada em ganho de mobilidade e controle da dor
Fortalecimento gradual dos músculos do ombro
Retorno ao esporte ou academia entre 2 e 4 meses, dependendo do caso

Conclusão

A síndrome do impacto do ombro é tratável e, na maioria das vezes, não precisa de cirurgia. O mais importante é identificar o problema cedo, ajustar os movimentos e fortalecer o ombro com orientação especializada.

Se você sente dor ao levantar o braço ou nota limitação nas tarefas simples, procure um ortopedista. O alívio pode estar mais próximo do que imagina!